sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O REAL E O IMAGINÁRIO

  


            OTSU TEM 12 ANOS.MAGRA,QUASE ESQUELÉTICA.QUASE
            CEGA.
            TODA MANHÃ,ANTES DE IR TOMAR SEU CAFÉ,ELA CHAMA:
             - VEM CÁ,BRANQUINHA...VOCÊ TEM ÁGUA,TEM COMIDA?
             OTSU SE ENCOSTA NELA E RECEBE UMA CARINHO NA CABEÇA.
             ELA SE LEMBRA DA SUA CHEGADA,RECÉM COMPRADA,COM
             QUATRO MESES.TODA ALEGRE E SALTITANTE.
             ELA SE AFASTA,TAMBÉM TRÔPEGA,TAMBÉM VELHA,
             TAMBÉM SÓ.Á ESPERA DO CARINHO DA NETA:DORMIU
              BEM, VOVÓ.

      MARIA NEUSA EM 15 DE SETEMBRO DE 2016

sábado, 10 de setembro de 2016

              

 NADA DE EXIBIÇÃO



        "Ele é um sujeito tímido.A vida o ensinou a não exibir o que lhe é mais caro."
Ela está lendo "as aventuras de PI" de  Yann Martel e se reconheceu nessa
frase.Então é por isso que o sentimento motor da sua vida fica escondido
no lugar mais inacessível,dentro dela: a amorosidade.Disfarçadamente Ela
a vai distribuindo aos objetos,aos animais,às pessoas.E a si mesma,sempre.   


MARIA NEUSA     

sexta-feira, 9 de setembro de 2016




                                      QUEM SOU EU

  

                   Um rosto.Um riso aberto.
Uma lágrima discreta.
Um cansaço,às vezes.
Uma fúria,quase sempre.
Me desconheço.Me procuro.
E quando me acho,
me acolho.

Maria Neusa em março de 2014

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

            

                                                   DESFEITO

         não sei de que país distante
         eu possa te ver chegar
         não sei mais quanto te amo
         se antes ou nunca mais
         não sei de mim o resto de nós
         poeta sem palavra nem voz
         a morte que tua falta faz.

                            -Márcio Alves in Agenda da tribo -2016


      Para  JOÃO N.COTI

                                 NÓ FEITO

   O amor nos enlaçou e nos emudeceu
   só olhares e gestos
   falaram tanto.
   Quarenta e sete anos depois
   o que não foi dói.
   Ferida aberta.

Maria Neusa em 7 de setembro de 2016


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Baú de memórias

" Nascida em Belfast,Irlanda do Norte, Sarah Marie Jones é atriz e autora de peças de teatro.
                 " Pedras nos bolsos" é sua peça mais conhecida e premiada.Seu texto impressiona por sua originalidade e dinamismo - uma grande ode de amor ao teatro.No vertiginoso fluir de inúmeros personagens, o expectador é colocado no interior de uma narrativa extremamente humana,que explora as fronteiras entre o cômico,o dramático e o trágico.
              Na versão brasileira,dois atores- Luiz Furlanetto e Paulo Trajano - são dirigidos por David Herman."
              Início de agosto.Noite fria  atípica no Rio de Janeiro.Depois de quase duas horas assistindo " Pedras nos bolsos",estou lendo o folheto de divulgação.Tento assim voltar com meus pés para o chão e colocar minha cabeça novamente onde deveria estar: acompanhando meu corpo,que caminha pelas ruas movimentadas de Botafogo.
              Mas o impacto da história e da interpretação desses dois magníficos atores( que se recriam em 12 personagens,masculinos e femininos) ainda me envolve.Ri e chorei.Aplaudi de pé.E saí do teatro de arena, meio zonza,num silêncio reflexivo:pequenas e autênticas histórias humanas podem e precisam ser contadas,para que  possamos,através delas,nos reconhecer no Espelho.E assim redescobrirmos nossa irmandade.
                            Maria Neusa em agosto de 2010

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Invisível??? Nem sempre,graças a Deus.



          Ela andava pelos corredores do pequeno supermercado.Pão integral
para o  lanche da tarde.Com berinjela,cebolas e tomates.Delícia!
          Uma mulher jovem,pequenina e ruiva passava por Ela quando,repentinamente,parou:
          - A senhora,com esses cabelos curtos e grisalhos,é tão bonita!
          Eu??? Assustada,Ela olhou ao redor.Cabelos assim só os Dela.
          -Obrigada!Posso abraçá-la por essa gentileza?
          E elas se abraçaram no meio do supermercado.Conversaram
por minutos e se despediram.
          Ela descobriu,feliz: sou visível para quem tem olhos empáticos
e gentis.
          E o longo caminho de volta para casa se fez colorido e amigável.


Maria Neusa Guadalupe
Uberlândia na manhã nublada de 7 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Bem aventurado sejas,coração gentil e alegre!



O dia amanheceu nublado mas aos poucos ficou azul.Um sol tímido brigava com um vento que,
atrevido,mexia com sua longa saia.Ela resolveu conhecer um novo caminho até ao supermercado:
desceu quatro quarteirões,como lhe indicaram.Ainda faltavam mais quatro quando parou numa
esquina,esperando o sinal para pedestre abrir.Uma moto foi diminuindo a velocidade e o motorista
fez sinal para que Ela passasse.Depois de confirmar: não havia nenhum veículo atrás da moto-precaução-
Ela fez um sinal de positivo junto com seu melhor sorriso e atravessou.De repente"Um feliz natal para a senhora!"Ela,mesmo surpresa,teve tempo de lhe devolver os votos "obrigada!para você também!"-antes
que a moto desaparecesse na avenida.Meu primeiro presente de Natal e tão cedo!E Ela continuou a
caminhada,rindo sozinha e rezando pelo desconhecido"Deus o proteja!Que seu dia seja feliz!Que seu
coração continue gentil,alegre,bem aventurado!"

Maria Neusa Guadalupe na manhã do dia 24 de dezembro de 2014,em Uberlândia,Minas Gerais.