domingo, 13 de fevereiro de 2011
8 - O chamado
Era madrugada e chovia. Ele andava e procurava.Atento.
A porta azul estava semi-aberta.Convidativa.
Ele entrou.E sorrindo,estendeu as mãos vazias.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Paulo Leminsk - 2 -
Razão de ser
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
Paulo Leminsk
-Tem que ter por quê???Sempre me perguntei.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Paulo Leminsk - 1 -
INCENSO FOSSE MÚSICA
isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além.
Paulo Leminsk
- Música é incenso.
Quero ser além.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Precisamos fazer revoluções
" Quem estudou no Loyola conheceu Antônio,o vendedor de balas da porta da escola.Quem não fez conta com ele para satisfazer os doces caprichos dos seus filhos?!
Mas chegou uma hora em que foi preciso tomar providência.Apesar de muito pequenos,chegamos à conclusão de que o ideal seria estabelecer uma mesadinha ( do tamanho deles),para que tivessem limite com relação " às querências" e, ao mesmo tempo, para que aprendessem a administrar esse rico dinheirinho.Passamos,então,a lição. E combinamos entre nós, marido e mulher,fazer valer a nova lei.De preferência,sem emenda.Volta atrás,jamais!
Na primeira incursão pelas lojas ( lembro-me bem que foi a antiga loja de brinquedos Bakana,na Contorno,em frente à Igreja Santo Antônio),Gabriel me pediu para comprar um pacote de figurinhas.Foi necessário relembrar-lhe o combinado.Afinal, tinha sido instituído há pouco tempo:balas,picolés e figurinhas seriam comprados com o dinheiro da mesada. Então, disse-lhe que emprestaria o dinheiro,mas que ele deveria me pagar depois,já que naquele momento ele não estava prevenido com os cobres na carteira. Esse assunto foi tão discutido em casa que Juliano,meu filho mais velho,quando as parcas moedas da carteira iam findando,dizia que estava ficando "cobre",em vez de pobre.
À noite, em casa, já recolhida em meus aposentos,entrou no meu quarto aqule toco de gente mais lindo do mundo.De mãozinha fechada em concha,ele depositou sobre minha mão uma notinha de dinheiro ( das mais amassadas).Na verdade,eu já nem me lembrava da dívida.No entanto,lembro o tanto que doeu aceitar o pagamento.E naquele gesto,tive a certeza de quanto doía educar.
( ...)
Imagino que,na cidade de muitos homens de nossa pátria ( tão sem mãe) não havia loja Bakana,nem eles tiveram mesadinha para aprender a lidar com o que era apenas deles,nem bico para lidar com a dor da perda,nem deixaram o restinho no prato para aprender que existem normas e regras sociais a serem cumpridas.Muito menos existiu por lá um bondoso Antônio,vendedor de balas que,com sua caderneta,creditava a todos nós uma palavra tão em desuso: confiança.
Precisamos fazer revoluções.A primeira,certamente,será interna."
_ Mary Figueiredo Arantes in As preciosas coisas banais.
_ Há anos aprecio e compro as" bijus" de Mary Design.Recentemente comprei o livro de crônicas escrito por essa artista mineira.Me encantei com todas as suas histórias e com a facilidade com que ela lida com as palavras.Da mesma maneira que lida com pedras,cordas,criando Arte.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Livre arbítrio
"Os tristes dizem que os ventos gemem,
os alegres acham que cantam"
Z. Piatigorsky
- Reflexão:o gemer e o cantar nos fazem humanos.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Walt Whitman - 2 -
Uma clara meia-noite
Esta é a tua hora,Oh Alma,teu voo livre
Para o espaço sem palavras,
Longe dos livros,longe da arte,
O dia extinto,a lição terminada,
E tu plenamente emergindo,silenciosa,
Observando,ponderando
Sobre teus temas diletos:
Noite,sono,morte e as estrelas.
-" Whitman parece nos dizer: somos tão despojados,tão perdidos neste vasto mundo,tão amontoados e tão sós,que cada objeto de felicidade é um presente,uma surpresa e um milagre."
( Folhas de relva- texto de José Francisco Botelho in Revista Vida Simples de fevereiro de 2011)
- A poesia é meu presente diário.
A poesia me agarra e me surpreende.
A poesia presentifica o milagre que é viver.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Walt Whitman -1 -
" Eu celebro a mim mesmo
e o que eu assumo você irá assumir
pois cada átomo que pertence a mim
pertence a você.
Vagabundeio com minha alma...
observando uma lâmina de grama no verão."
-" Walt Witman é um indecoroso messias da literatura,que nos convida a participar de sua vadiagem cósmica e de seu auto-erotismo metafísico.O século 20 celebrou-o como inventor do verso livre,mas para o crítico Harold Bloom,o brilhantismo desse poeta foi resgatar o potencial xamãnico da literatura.Em algumas sociedades arcaicas,o xamã é uma figura que oscila entre diversos mundos e que, por isso mesmo,é capaz de falar com clareza sobre todos eles.
Assim foi Witman.Celebrou a simesmo como emblema do universo - uma celebração que,para ganhar a necessária força e gigantismo,também abarcou a dor,a baixeza, a derrota,conforme demonstra sua curta e inesquecível linha:
"Eu sou o homem.Eu sofri.Eu estava lá."
( in Folhas da relva - texto de José Francisco Botelho- Revista Vida Simples - fevereiro de 2011 )
-Li e gostei....vou continuar amanhã.
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