domingo, 6 de fevereiro de 2011

Preocupação

"Este blog contém algumas imagens que foram coletadas na internet, aparentemente sem nenhuma restrição ao uso público. Caso você saiba de alguma aqui publicada, sem identificação de autoria, ou indevidamente, peço-lhe que me informe para dar os devidos créditos, ou excluí-la."

- Copiei de um blog que conheci ontem.Há muito me preocupava com essa questão: copiar ou não imagens da net.Faço minhas essas palavras.
                    
           

Um mote e cinco variações


                   Mote: " A tarde de sua ausência" 
                               ( Carlos Heitor Cony)

                   1- A temperatura caíra drasticamente naquela tarde de junho.Na sala gelada,Ela abraçava o livro,transfigurada de dor.

                   2- O cd antigo tocava e Ela o ouvia,chorando silenciosamente.Não encontrava a resposta.
                        Por quê?

                   3- " Se todos fossem no mundo iguais a você"...Pulso cortado.A dor latejava na vida que se esvaía.
  
                   4- Ela cantava.Olhos fechados,coração feliz.Sem perceber que a pequena trouxa de panos,que embalava,estava vazia.

                   5- Ela estava ali há horas,sentada na cadeira de balanço.Tomara banho,vestira seu mais novo vestido,passara seu melhor perfume.Ela sabia que ,até o final da tarde, passos alegres subiriam as escadas e risadas infantis a abraçariam.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Atemporal

"Fé cega,faca amolada"



A banda uberlandense Giralua canta Nascimento.
O teatro fica no centro da cidade: moderno e aconchegante.
Chegamos às vinte horas em ponto.Yuri,meu netinho de 2 anos e 4 meses,ia estreiar na noite,assistindo ao show em que seu pai,Luís Gustavo,é o cantor.Subiu e desceu dezenas de vezes a rampa,sob os cuidados da avó Júlia. Quando ouvimos o segundo sinal,a mãe o chamou e ele se sentou entre ela e a mãe do cantor,"Vó Maria Deusa."
Luzes fortes se acenderam no palco,a primeira música abriu caminho e fez as pessoas cantarem.As palmas explodiram e Yuri virava para trás e dizia: "tem mais uma".Na metade do show começou a cantar partes das músicas,afinal assistira  a todos os ensaios,que se realizavam na sala de sua casa.Uma hora com músicas de Milton Nascimento - décadas de 60 e 70 - e a platéia pedia mais.
Há cinco anos insistindo neste repertório tão rico,a banda,formada de jovens entre 25 a 28 anos,e dando voz,com criatividade e competência,ao grande compositor e interprete da MPB,agora recebia do público o reconhecimento que merecia.
Eu,quieta e emocionada,cantava junto;"vai ser,vai ser,vai ter que ser,vai ser faca amolada.No brilho da paixão e fé,faca amolada."
Trabalho,fé,faca amolada  rasgando o destino,insistindo em transformar  sonhos em realidade.


Maria Neusa,outubro de 2009
              

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Desapegar-me


                 "Aquilo que você guarda e o que joga fora,assim como o que compra ou deixa de comprar,é um espelho que reflete o que você sente e pensa.( ...) Colocamos etiquetas emocionais nos objetos que nos circundam.Por isso é tão difícil descartá-los: eles evocam nossas melhores lembranças."
( Texto de Liane Alves in Desapego na raça - Revista Vida Simples- fevereiro de 2011)

                _ Assino Vida Simples há anos e sempre coloco aqui reflexões em cima das minhas leituras.
                Essa reportagem me pegou: começo de ano,sonhos anotados,boas intenções fresquinhas.E uma era parente do desapego: parar de comprar coisas das quais não preciso.Resolvi colocar em prática a proposta do texto: jogar fora ou doar 50 coisas ,mas não em duas semanas - impossível!
               Comecei bem e empaquei na sétima!Acho que vou gastar todo o ano para terminar essa lista e esse gesto de desapego.Mas não vou desistir! Há 3 anos me mudei de cidade e dez sacos de 100 litros foram doados,por mim, às instituições da minha ex-cidade.Me senti  livre,leve,solta.Vale a pena tentar de novo!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

7 - Coleção sui generis


 Coleção sui generis

       Toda manhã o netinho de quase 4 anos atravessa a casa e vai acordá-la:
       - Acorda,vovó.Já está de dia!
       - Bom dia,netinho.Você dormiu bem?
       -Dormi,sim.Levanta,vovó.
       - Vou me levantar já,já. Espere eu fazer minha ginástica.
       O netinho a observa dar pedaladas no ar.
       Às vezes ele não espera e diz:
       - Vovó,te espero lá na sala.
       Mas quando fica,descobertas acontecem:
       - Vovó,deixa eu ver sua coleção de remédios...ela é maravilhosa!
       - Vovó, posso partir seus comprimidos com aquela sua máquina verde?
       Ela abre as caixas, separa os remédios do dia,coloca o cortador de comprimidos nas mãos do netinho,ensinando como cortá-los.
       Pronto!Juntos saem e vão assistir desenhos na tv até a casa toda acordar .E a alegre rotina da avó e seus netinhos se reinicia.

       
      

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Descoberta


                "Eu penso renovar o homem 
                 usando borboletas."
              
                               Manoel de Barros

                 _ Descobri: agora sei por que  tenho asas.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Peço licença


Em que esquina dobrei errado?

Martha Medeiros

Aconteceu em Paris. Estava sozinha e tinha duas horas livres antes de chamar o táxi que me levaria ao aeroporto, de onde embarcaria de volta para o Brasil. Mala fechada, resolvi gastar esse par de horas caminhando até a Place des Voges, que era perto do hotel. Depois de chuvas torrenciais, fazia sol na minha última manhã na cidade, então Place des Voges, lá vou eu. E fui.

Sem um mapa à mão, tinha certeza de que acertaria o caminho, não era minha primeira vez na cidade. Mas por um desatino do meu senso de orientação, dobrei errado numa esquina. Em vez de ir para a esquerda, entrei à direita. Mais adiante, aí sim, virei à esquerda, mas não encontrei nenhuma referência do que desejava. Segui reto: estaria a Place des Voges logo em frente? Mais umas quadras, esquerda de novo. Gozado, era por aqui, eu pensava. Não que fosse um sacrifício se perder em Paris, mas eu parecia estar mais longe do hotel do que era conveniente. Mais caminhada, e então, várias quadras adiante, não foi a Place des Voges que surgiu, e sim a Place de la Republique. Eu tinha atravessado uns três bairros de Paris, mon Dieu.

Perguntei a um morador o caminho mais curto para voltar à rua onde ficava meu hotel, e ele me apontou um táxi. Teimosa, pensei: ainda tenho um tempinho, voltarei a pé. E assim foram minhas duas últimas horas em Paris, uma estabanada andando às pressas, saltando as poças da noite anterior, olhando aflita para o relógio em vez de flanar como a cidade pede. Cheguei bufando no hotel, peguei minha mala e, por causa da correria, esqueci no hall de entrada uma gravura linda que havia comprado e que planejava trazer em mãos no voo. Tudo por causa de uma esquina que dobrei errado.

Foram apenas duas horas inúteis e cansativas, e duas horas não é nada na vida de ninguém. Mas quanta gente perde a vida que almejou por ter virado numa esquina que não conduzia a lugar algum?

Alguns desacertos pelo caminho fazem a gente perder três anos da nossa juventude, fazem a gente perder uma oportunidade profissional, fazem a gente perder um amor, fazem a gente perder uma chance de evoluir. Por desorientação, vamos parar no lado oposto de onde nos aguardava uma área de conforto, onde encontraríamos pessoas afetivas e uma felicidade não de cinema, mas real. Por sair em desatino sem a humildade de pedir informação a quem conhece bem o trajeto ou de consultar um mapa, gastamos sola de sapato à toa e um tempo que ninguém tem para esbanjar. Se a vida fosse férias em Paris, perder-se poderia resultar apenas numa aventura, mesmo com o risco de o avião partir sem nós. Mas a vida não é férias em Paris, e aí um dia a gente se olha no espelho e enxerga um rosto envelhecido e amargurado, um rosto de quem não realizou o que desejava, não alcançou suas metas, perdeu o rumo: não consegue voltar para o início, para os seus amores, para as suas verdades, para o que deixou pra trás.
Não existe GPS que assegure se estamos no caminho certo. Só nos resta prestar mais atenção.
 
- Leio essa escritora gaúcha há mais de dez anos:poesias,romances,crônicas .Como milhões de brasileiros,sou  sua admiradora ferrenha.Hoje,vou lhe pedir licença para publicar aqui esse texto.Uma benvinda reflexão para o começo de um novo ano:desacertos existem e existirão sempre.Devemos ficar atentos e aprender com eles.E recomeçar,sempre.



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